Outros Ramos de Direito

TÍTULO

A gestão de recursos humanos nos escritórios de advogados (I): aspectos gerais

REFERÊNCIAS

Autoria: Iolanda Guiu, Garantcom,
Data de publicação: 15.Maio.2004

TEXTO INTEGRAL

"... precisamos de pessoas capazes de configurar o futuro, não de administrar simplesmente o dia a dia" (Warren Bennis)

A gestão de recursos humanos é a disciplina que cuida do comportamento humano nas organizações, das relações humanas, com a finalidade de atrair e selecionar as pessoas adequadas, conseguir um bom clima de trabalho, implicar no projeto de escritório aos profissionais e contribuir de esta maneira à estratégia global da firma. Administrar os recursos humanos implica planejar e tomar decisões em questões como seleção de pessoal, comunicação interna, motivação, formação, constitução de equipes, políticas remunerativas, flexibilidade laboral, habilidades diretivas, etc.

Os profissionais de recursos humanos costumam comentar que a chave de uma empresa são as pessoas. Na nossa opinião, o principal ativo é a capacidade estratégica da direção. O mundo laboral é cheio de pessoas com estudos semelhantes, que lêem o mesmo, que se interessam pelo mesmo, etc. Evidentemente, um escritório deve contar com o pessoal adequado para desenvolver a estratégia e promocionar o conceito de escritório, de marca, desejado, mas historicamente a estratégia têm marcado a diferença entre organizações.

Vivemos numa sociedade onde a oferta supera a demanda, num mundo onde os conhecimentos do profissional se tornam obsoletos cada cinco ou seis anos. Neste mundo hipercompetitivo a inovação é a principal fonte de vantagem competitiva. A inovação é baseada na criatividade, ou seja, na capacidade de encontrar oportunidades onde às vezes somente vemos problemas. A curiosidade, a criatividade e a imaginação são ativos difíceis de encontrar atualmente, mas seu escritório deve saber encontrá-los, se pode ser em pessoas apaixonadas pelo seu trabalho e otimistas. Os ganhadores são sempre otimistas. Incorpore pessoas otimistas ao seu escritório, de esta maneira facilitará um bom clima de trabalho no mesmo. Seu escritório também deve saber atrair profissionais com capacidade de pensar e de priorizar antes de atuar. Estas duas capacidades, juntamente com a capacidade de ser coerente, costumam ser difíceis de encontrar. Para alguns estudiosos das organizações, as mais difíceis.

Os grandes escritórios administram os recursos humanos e apostam pelas diferentes disciplinas da gestão empresarial. Para eles é uma prioridade. Em realidade, a gestão empresarial se aplica nos escritórios médios e pequenos com mais facilidade que nos grandes, simplesmente porque tem uma menor dimensão. A partir de quarenta ou cinqüenta profissionais, o pessoal começa a não conhecer-se e as relações começam a despersonalizar-se. Se seu escritório têm mais de cinqüenta profissionais, pense em desagregá-lo em equipes ou unidades.

Independentemente que seu escritório esteja formado por dois, cinco, quinze, vinte, cinqüenta ou trezentos advogados, você deve administrá-lo com critérios empresariais, sempre, evidentemente, no marco da ética e a deontologia da profissão de advogado. No mercado jurídico atual, a gestão deve entender-se não como um problema senão como uma oportunidade para conseguir um escritório mais eficaz e eficiente, e também mais competitivo.

Durante os próximos artigos sobre gestão empresarial trataremos os seguintes aspectos, entre outros, de aplicação a todo tipo de escritórios, independentemente de seu tamanho: recrutamento e seleção, comunicação interna, motivação, formação e carreira profissional, habilidades diretivas, flexibilidade laboral, qualidade de serviço e atenção ao cliente, etc.

Adiantamos para você, para sua reflexão, o seguinte:

Formação: a carreira profissional depende de cada um. É uma responsabilidade do advogado. Se você forma parte de um escritório que inverte em sua formação, melhor, mas é um erro delegar totalmente esta responsabilidade para o escritório. Se seu escritório não lhe oferece formação, procure-a você mesmo.

Grupos versus equipes: há escritórios que falam de "grupos" desconhecendo, possivelmente, a diferença no que diz respeito a "equipe". Um grupo pode definir-se como um conjunto de individualidades, profissionais com voluntades dispersas; uma equipe com un conjunto de pessoas com objetivos comuns e bem comunicados. Os escritórios devem apostar pelas equipes.

Liderança: Para dirigir equipes, o primeiro passo é o conhecimento de si mesmo, e a partir desse conhecimento ajudar os demais a conhecer-se e a colaborar. Quando as individualidades sabem colaborar se criam equipes. O líder deve incentivar a comunicação e a cooperação.

Motivação: a motivação é uma decisão individual; é um processo de dentro para fora da pessoa. Por isso, em realidade não se pode motivar a alguém. Em todo caso, o escritório deve criar as condições para não desmotivar os colaboradores. Um profissional que se apaixone pela sua profissão se motiva a si mesmo.

Produtividade: normalmente dize-se que a produtividade só depende das pessoas. De fato, depende da cultura de trabalho do escritório ("a maneira como se fazem as coisas na firma"), dos profissionais e da estrutura. Um escritório deve apostar por uma cultura forte, autônoma, original, que incentive a criatividade e o consenso, com uns valores compartilhados pelos diferentes grupos e níveis profissionais, que permita a integração das pessoas na equipe e o cumprimento da razão de ser (missão) do escritório. Por sua parte, os profissionais devem estar implicados com o projeto da firma. Para isso, a comunicação interna e a gestão das expectativas são básicas. Finalmente, a estrutura deve estar a serviço das pessoas e da estratégia, não ao contrário; deve facilitar que os profissionais se comuniquem e o desenvolvimento da estratégia, ou seja o caminho para conseguir os objetivos.

Seleção de pessoal: um escritório não deve selecionar os melhores profissionais (sócios, advogados, pessoal administrativo, etc.); deve ser capaz de atrair e selecionar os mais adequados para seu projeto.

© 2004, Iolanda Guiu, Garantcom, consultoria de gestão de recursos humanos para escritórios de advogados. Direitos reservados. info@garantcom.com . Versão reduzida do artigo publicado, em formato papel, na revista Economist & Jurist, nº 78, março de 2004.

© verbojuridico.net | com | org. Direitos Reservados.

Imprimir